segunda-feira, 1 de outubro de 2012

vai vaidade

No meio dessa platéia espada cortando ao meio
e as minhas metades contando mentiras pra mim;
espaço-me tranquilo na multidão pedindo porcaria.
A minha cidade não é nada minha, o meu sopro não derruba casas,
meu atraso sem ser notado,
ainda bem que não desisto de não ser porra nenhuma.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Aves avistam

Os pássaros voavam me vendo patético e sóbrio ao meio-dia,
nada de poesia nesse asfalto de rodovia,
carregava as minhas tralhas e minha garrafinha de água morna,
pastos ao lado e a minha juventude desintegrando com o vento,
é preciso ser escravo sem algemas no retrato
mas no fundo todos sabem que é exatamente isso.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Minha cara

Moça veja bem! os sonhos estão se perdendo, você está se perdendo
e não estava nos planos sermos assim tão desastrosos.
Dos copos, dos goles, do alcool em mim,
não veja com maus olhos, na face tu crias mundos,
tenha filtro de luz nos globos oculares.
Vossa bondade ainda quero ver estampada, esculpida e perpetuada
onde roupa não esconde, bem na sua cara.

domingo, 12 de agosto de 2012

O Santo no jardim das acácias de vidro

Os cientistas estão do outro lado,
enquanto fico com gravetos vendo nossa genialidade de caverna,
sem profetas para matar e o xamã da tribo enlouqueceu,
senta na calçada, medita no meio disso tudo
e confundido com um mendigo ganha moedas sem ter pedido,
compra pão e vinho, em homenagem a ultima ceia de um bom e velho amigo.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Um barzinho e uma comunista

Guarde as suas armas baby,
economize a sua artilharia,
não era mesmo isso que eu queria,
mais uma guerra verbal entre nós.

Guarde as suas soluções perfeitas,
pra você mesma ou pra quem quiser usar,
nenhum partido vai conseguir me adestrar,
nenhum governo é capaz de me fazer recuar.

Eles estão nos dando empregos
e a mesma corda que nos salva vai nos enforcar,
eles nos dão empregos e nada mais.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Filosofia de ourives

Diamante de mendigo,
da loja pro dedo,
ofusca o que adorna
e esquece os outros nove.

sábado, 14 de julho de 2012

A resposta do panfleto


Era só um ajudante qualquer, num restaurante qualquer no planeta Terra,
cercado de átomos vazios que vamos pintando compulsivos,
tudo o que vemos num piscar de olhos
e o mini-segundo depende muito do nosso ponto de vista.
Terra à vista gajos, e viram melhor de perto, pois luneta multiplica apenas um sentido.
Em 1874 escreveram num panfleto que fora espalhado sem ser notado
`` Esse corpo é uma espécie de  pijama! ´´.
Pensou nisso dia inteiro, o pôr do Sol o lembra que esqueceu do tempo   
e o tempo não o arrastou de volta para o trabalho.
- Sonhamos estar acordados.
Foi o que disse ao pedir demissão.
De repente quase sempre de noite, o que chamamos de dormir seja acordar noutro lugar,
contarmos para alguém que estamos tendo sonhos repetidos.
E escreveu a resposta do panfleto tal qual fosse um ataque,
caneta azul como quase sempre fazia.

Obs: Todo sonho nos joga na cara diariamente, no momento em que estamos acordando,
enganados por nós mesmos, estamos com certeza, definitivamente, todos delirando!

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Existe um pássaro azul no meu peito

E o alcoólatra encontrava o fim da semana nos 7 dias dela,
entre um the end e outro habitamos vícios com os seus muros invisíveis.
Me hospedo no quarto marginal,
e eu sou esse bêbado descrito no começo.
Durmo num hotel barato quando com sorte
antes mesmo de ler Charles Bukowski,
me identifico com ele,
somos perdedores bêbados romantizando lixo.
acorde blue bird ... rápido.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

O pijama mágico


O instante entre o sonho e a realidade...
quem somos nesse momento?
De onde viemos?
De certo de bem longe pelo corpo cansado apesar de imóvel.
Eu vejo um sofá nesse sonho, sinto o seu tecido com as mãos
e a isso chamo de realidade.
Porém acordo e tudo some com aquele sofá,
em contrapartida outro tudo toma o seu lugar,
assim como um mergulhador não questiona a veracidade da água,
nado,nado e mais nada.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Antes que conte até 9

Já defendi muitas causas perdidas,
mentira, não movi nenhuma palha.
escalei a montanha da ilusão
e quando ela sumiu eu caí de cara.

Sei pra você não faz nenhum sentido,
no hospício eles se identificam.
Não é fácil ser louco
e sei que pra loucura não existe cirurgia.

Fui alquimista inconscientemente,
eu já misturei muitas drogas.
Mas não queria nem saber de ouro,
a pedra filosofal que se foda.

Já fiz um show dentro da minha mente
e o público era tão grande.
Esquizofrênia é uma doença,
eu só não sei quem de mim é que está doente.

Tenho uma gata chamada Rockita,
ela gosta de um som bem pesado.
Dorme em frente do amplificador
e acho que ela sonha com o mundo dos gatos.

Sei pra você não faz nenhum sentido,
pra ela isso não é bizarro,
lá os gatos usam ternos
e humanos de madrugada transam sempre em cima do telhado.

domingo, 11 de março de 2012

Notícias do front

As ilusões reencarnam,
cuspo no elevador e subo todas as escadas.
No meu rádio portátil
só o chiado entre as estações não noticiam guerras.

EXTRA! EXTRA!
- Puxadores de pinos administram um jardim de granadas!

As pilhas acabam enquanto o rádio desaba,
imprensa livre em queda livre,
radialistas do mundo todo em meio minuto de silêncio,
fecho os olhos,
não penso em nada
e calo a minha boca em todos os idiomas.