domingo, 24 de fevereiro de 2013

Maria Fumaça N°404

As árvores chovendo em meus ouvidos,
um minuto de paz me abraça enquanto estou distraído,
embrulha e já não é mais visto
e joga os meus quereres todos no lixo.
Uma locomotiva está presente nessa cena semi-invisível,
vou embora com a minha habitual mente de caos,
em um mundo de caos
ela fica ali parada, enferrujada e não mais carrega pesos absurdos,
em um mundo de absurdos
como um estivador velho e aposentado contra a própria vontade.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

vai vaidade

No meio dessa platéia espada cortando ao meio
e as minhas metades contando mentiras pra mim;
espaço-me tranquilo na multidão pedindo porcaria.
A minha cidade não é nada minha, o meu sopro não derruba casas,
meu atraso sem ser notado,
ainda bem que não desisto de não ser porra nenhuma.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Aves avistam

Os pássaros voavam me vendo patético e sóbrio ao meio-dia,
nada de poesia nesse asfalto de rodovia,
carregava as minhas tralhas e minha garrafinha de água morna,
pastos ao lado e a minha juventude desintegrando com o vento,
é preciso ser escravo sem algemas no retrato
mas no fundo todos sabem que é exatamente isso.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Minha cara

Moça veja bem! os sonhos estão se perdendo, você está se perdendo
e não estava nos planos sermos assim tão desastrosos.
Dos copos, dos goles, do alcool em mim,
não veja com maus olhos, na face tu crias mundos,
tenha filtro de luz nos globos oculares.
Vossa bondade ainda quero ver estampada, esculpida e perpetuada
onde roupa não esconde, bem na sua cara.

domingo, 12 de agosto de 2012

O Santo no jardim das acácias de vidro

Os cientistas estão do outro lado,
enquanto fico com gravetos vendo nossa genialidade de caverna,
sem profetas para matar e o xamã da tribo enlouqueceu,
senta na calçada, medita no meio disso tudo
e confundido com um mendigo ganha moedas sem ter pedido,
compra pão e vinho, em homenagem a ultima ceia de um bom e velho amigo.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Um barzinho e uma comunista

Guarde as suas armas baby,
economize a sua artilharia,
não era mesmo isso que eu queria,
mais uma guerra verbal entre nós.

Guarde as suas soluções perfeitas,
pra você mesma ou pra quem quiser usar,
nenhum partido vai conseguir me adestrar,
nenhum governo é capaz de me fazer recuar.

Eles estão nos dando empregos
e a mesma corda que nos salva vai nos enforcar,
eles nos dão empregos e nada mais.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Filosofia de ourives

Diamante de mendigo,
da loja pro dedo,
ofusca o que adorna
e esquece os outros nove.

sábado, 14 de julho de 2012

A resposta do panfleto


Era só um ajudante qualquer, num restaurante qualquer no planeta Terra,
cercado de átomos vazios que vamos pintando compulsivos,
tudo o que vemos num piscar de olhos
e o mini-segundo depende muito do nosso ponto de vista.
Terra à vista gajos, e viram melhor de perto, pois luneta multiplica apenas um sentido.
Em 1874 escreveram num panfleto que fora espalhado sem ser notado
`` Esse corpo é uma espécie de  pijama! ´´.
Pensou nisso dia inteiro, o pôr do Sol o lembra que esqueceu do tempo   
e o tempo não o arrastou de volta para o trabalho.
- Sonhamos estar acordados.
Foi o que disse ao pedir demissão.
De repente quase sempre de noite, o que chamamos de dormir seja acordar noutro lugar,
contarmos para alguém que estamos tendo sonhos repetidos.
E escreveu a resposta do panfleto tal qual fosse um ataque,
caneta azul como quase sempre fazia.

Obs: Todo sonho nos joga na cara diariamente, no momento em que estamos acordando,
enganados por nós mesmos, estamos com certeza, definitivamente, todos delirando!

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Existe um pássaro azul no meu peito

E o alcoólatra encontrava o fim da semana nos 7 dias dela,
entre um the end e outro habitamos vícios com os seus muros invisíveis.
Me hospedo no quarto marginal,
e eu sou esse bêbado descrito no começo.
Durmo num hotel barato quando com sorte
antes mesmo de ler Charles Bukowski,
me identifico com ele,
somos perdedores bêbados romantizando lixo.
acorde blue bird ... rápido.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

O pijama mágico


O instante entre o sonho e a realidade...
quem somos nesse momento?
De onde viemos?
De certo de bem longe pelo corpo cansado apesar de imóvel.
Eu vejo um sofá nesse sonho, sinto o seu tecido com as mãos
e a isso chamo de realidade.
Porém acordo e tudo some com aquele sofá,
em contrapartida outro tudo toma o seu lugar,
assim como um mergulhador não questiona a veracidade da água,
nado,nado e mais nada.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Antes que conte até 9

Já defendi muitas causas perdidas,
mentira, não movi nenhuma palha.
escalei a montanha da ilusão
e quando ela sumiu eu caí de cara.

Sei pra você não faz nenhum sentido,
no hospício eles se identificam.
Não é fácil ser louco
e sei que pra loucura não existe cirurgia.

Fui alquimista inconscientemente,
eu já misturei muitas drogas.
Mas não queria nem saber de ouro,
a pedra filosofal que se foda.

Já fiz um show dentro da minha mente
e o público era tão grande.
Esquizofrênia é uma doença,
eu só não sei quem de mim é que está doente.

Tenho uma gata chamada Rockita,
ela gosta de um som bem pesado.
Dorme em frente do amplificador
e acho que ela sonha com o mundo dos gatos.

Sei pra você não faz nenhum sentido,
pra ela isso não é bizarro,
lá os gatos usam ternos
e humanos de madrugada transam sempre em cima do telhado.

domingo, 11 de março de 2012

Notícias do front

As ilusões reencarnam,
cuspo no elevador e subo todas as escadas.
No meu rádio portátil
só o chiado entre as estações não noticiam guerras.

EXTRA! EXTRA!
- Puxadores de pinos administram um jardim de granadas!

As pilhas acabam enquanto o rádio desaba,
imprensa livre em queda livre,
radialistas do mundo todo em meio minuto de silêncio,
fecho os olhos,
não penso em nada
e calo a minha boca em todos os idiomas.



terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Fim

Eu que de tanto sonhar
apenas sonhei,
Que não querendo acordar no entanto acordei,
assim...
véu desabando
eu tentando segurar esse pano,
enquanto eu ria com eles
eles riam de mim.
O que marca mais que tatuagem,
preciso deletar essas imagens,
inventar um laser que acabe
com todo sentimento ruim.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Nuvem de veneno

As fábricas de cigarro lucrando com o tédio
e o meu trago dura mais que um século,
cem anos de solidão,
comparado a isso a nicotina fica só um pouco circulando no meu sangue;
enquanto isso meninos me chamam para soltar pipas.
Desvio de dentadas de leões disfarçadas nas situações diárias,
mostro com orgulho os arranhões na minha fachada quase intacta.
Adeus de novo ``grande`` São Paulo.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Mario...não pare na pista

Estamos com o n° de inscrição no bolso,
em uma corrida dando voltas numa esfera,
fabricando distrações,
marchando feito soldados dopados para o trabalho
( é preciso fabricá-las.) (?)
O Super-Mário registrado pelo vilão,
evita o fogo cruzado apenas o recebendo,
envergonhado demais não consegue encarar a princesa,
então como resgatá-la?
Se ao menos se resgatasse...
Mas desempregado ele se vê fora da marcha,
sem pular de tartaruga em tartaruga
não bate mais cabeça em pedras e recebe recompensas por isso.
Mas tem que fazer alguma coisa,
- corre Forrest... corre!
O tempo venta e somos levados.
Procura-se tesouros escondidos no cenário,
pular e agarrar na bandeirinha diante do castelo do inimigo.
O espiritismo pregando a existência de continues.
Mario além do bigode agora tem cavanhaque, alguns trocados e nenhuma direção,
ele deve estar tocando Raul por aí em alguma fase dessas.
Mario...não pare na pista

Estamos com o n° de inscrição no bolso,
em uma corrida dando voltas numa esfera,
fabricando distrações,
marchando feito soldados dopados para o trabalho
( é preciso fabricá-las.) (?)
O Super-Mário registrado pelo Kópas,
envergonhado demais não consegue encarar a princesa,
então como resgatá-la?
Se ao menos se resgatasse...
Mas desempregado ele se vê fora da marcha,
sem pular de tartaruga em tartaruga
não bate mais cabeça em pedras e recebe recompensas por isso.
Mas tem que fazer alguma coisa,
- corre Forrest... corre!
O tempo venta e somos levados.
Procura-se tesouros escondidos no cenário.
Pular e agarrar na bandeirinha diante do castelo do inimigo.
O espiritismo pregando a existência de continue.
Mario além do bigode agora tem cavanhaque, alguns trocados e nenhuma direção,
ele deve estar tocando Raul por aí, em alguma fase dessas.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

o vomitado

Deve ter algo de errado,
tripulação e bússola desnorteada
em um submarino apressado tentando sair do planeta.

Escotilhas fechadas,
agora é tudo ou nada,
fé na gravidade zero molhada.

Viajante intra-galático,
estrelas do mar num céu de água salgada,
Jonas na baleia de metal.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Guitar Hero

Vende-se uma guitarra usada,
cor: preta, branca e dourada.
Não sei o nome nem a marca
nem a data em que foi fabricada.

Captador duplo, entrada frontal,
de trastes baixos e braço perfeito.
Parece um trovão que se segura com as mãos,
principalmente quando ligada.

Ao descreve-la  a reencontro,
me diz que tudo tem seu tempo,
me ensina paciência...
há anos espera por mim.

Fecho a capa e mudo de idéia.
vende-se uma guitarra elétrica,
em algum lugar dessa Terra,
mas juro que não é a minha.

domingo, 17 de julho de 2011

O ilusionista

Tem fama, tem roupa, tem jeito de louco,
cabeça nas nuvens
documento no bolso.
A matilha não entende,
acha até divertido,
latindo ele jura que não é cachorro.
Arquibancada lotada,
aplausos, sorrisos,
a mosca na teia fazendo ilusionismo.
Tem fama, tem roupa, tem jeito de louco
mas nunca se esquece e confere o troco.

sábado, 16 de julho de 2011

Grelha em forma de cruz

Qualquer dia desses...
ao puxar a rede de não pegar peixe
e que no mar não é lançada.
made in lugar nenhum virá de nós palavras com asas,
será tempo distante abduzir seres marinhos.

Qualquer dia desses...
eu escreva sobre um mundo de mentira,
em que Messias venha só para sardinhas.
Mais que proeza será um milagre,
fazer o impossível com naturalidade
e os peixes cegos o verão nadando na terra.