Vende-se uma guitarra usada,
cor: preta, branca e dourada.
Não sei o nome nem a marca
nem a data em que foi fabricada.
Captador duplo, entrada frontal,
de trastes baixos e braço perfeito.
Parece um trovão que se segura com as mãos,
principalmente quando ligada.
Ao descreve-la a reencontro,
me diz que tudo tem seu tempo,
me ensina paciência...
há anos espera por mim.
Fecho a capa e mudo de idéia.
vende-se uma guitarra elétrica,
em algum lugar dessa Terra,
mas juro que não é a minha.
sexta-feira, 22 de julho de 2011
domingo, 17 de julho de 2011
O ilusionista
Tem fama, tem roupa, tem jeito de louco,
cabeça nas nuvens
documento no bolso.
A matilha não entende,
acha até divertido,
latindo ele jura que não é cachorro.
Arquibancada lotada,
aplausos, sorrisos,
a mosca na teia fazendo ilusionismo.
Tem fama, tem roupa, tem jeito de louco
mas nunca se esquece e confere o troco.
cabeça nas nuvens
documento no bolso.
A matilha não entende,
acha até divertido,
latindo ele jura que não é cachorro.
Arquibancada lotada,
aplausos, sorrisos,
a mosca na teia fazendo ilusionismo.
Tem fama, tem roupa, tem jeito de louco
mas nunca se esquece e confere o troco.
sábado, 16 de julho de 2011
Grelha em forma de cruz
Qualquer dia desses...
ao puxar a rede de não pegar peixe
e que no mar não é lançada.
made in lugar nenhum virá de nós palavras com asas,
será tempo distante abduzir seres marinhos.
Qualquer dia desses...
eu escreva sobre um mundo de mentira,
em que Messias venha só para sardinhas.
Mais que proeza será um milagre,
fazer o impossível com naturalidade
e os peixes cegos o verão nadando na terra.
ao puxar a rede de não pegar peixe
e que no mar não é lançada.
made in lugar nenhum virá de nós palavras com asas,
será tempo distante abduzir seres marinhos.
Qualquer dia desses...
eu escreva sobre um mundo de mentira,
em que Messias venha só para sardinhas.
Mais que proeza será um milagre,
fazer o impossível com naturalidade
e os peixes cegos o verão nadando na terra.
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Zeus reciclado
Como se não bastasse a vida;
todo tipo de circo, escola, uniformes, presidio.
burgueses e mendigos bêbados brigando sem motivo,
sempre tem uma praça e uma igreja idiota no centro da cidade.
Pra quem não esperava passar dos 20,
o que me deixa maluco é ainda não ter morrido.
Me vejo quase sempre como um fantasma,
outros também viram e nada disseram,
falavam com os olhos... concordavam comigo.
Só consigo achar mais triste tabagismo sem cigarros,
e os deuses no meu sonho não fizeram chover vinho,
Dionísio cretino, imprestável.
todo tipo de circo, escola, uniformes, presidio.
burgueses e mendigos bêbados brigando sem motivo,
sempre tem uma praça e uma igreja idiota no centro da cidade.
Pra quem não esperava passar dos 20,
o que me deixa maluco é ainda não ter morrido.
Me vejo quase sempre como um fantasma,
outros também viram e nada disseram,
falavam com os olhos... concordavam comigo.
Só consigo achar mais triste tabagismo sem cigarros,
e os deuses no meu sonho não fizeram chover vinho,
Dionísio cretino, imprestável.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
O astronauta e a kodak
O nosso planeta de longe,
imagem da janela do astronauta.
Sem dizer uma palavra,
colocou um paradoxo na palma da minha mão.
Feito pílula engoli sem copo d`água.
Êta ironia danada,
pra ver o céu que conhecemos
só pisando nesse chão.
imagem da janela do astronauta.
Sem dizer uma palavra,
colocou um paradoxo na palma da minha mão.
Feito pílula engoli sem copo d`água.
Êta ironia danada,
pra ver o céu que conhecemos
só pisando nesse chão.
terça-feira, 12 de julho de 2011
Um fósforo mudaria o meu mundo
Na contra-mão da passeata protesto sozinho.
faixas, megafones cuspindo palavras,
não me vejo nessa massa mendigando reformismo.
Exilado na calçada,
só quero isqueiro pra acender meu cigarro,
me olham de lado, sou reprovado,
marginalizado pelos marginalizados,
além da fronteira da sarjeta.
faixas, megafones cuspindo palavras,
não me vejo nessa massa mendigando reformismo.
Exilado na calçada,
só quero isqueiro pra acender meu cigarro,
me olham de lado, sou reprovado,
marginalizado pelos marginalizados,
além da fronteira da sarjeta.
Pequenas asas
É como se eu fosse convidado pra uma festa
e desse o bolo em mim mesmo,
me dei o convite, aceitei e não fui.
Inventei desculpas e já não acredito nelas.
Escalei estantes,
caminhei por páginas e mais páginas,
E pulando entre os livros,
olhei pra trás e notei bandeiras saindo deles,
assustei com os dedos apontados saindo entre as folhas,
todos em minha direção,
como juízes de desenho agindo feito plantas carnívoras.
Só me resta fugir,
já que sou réu e nunca soube advogar em causa própria.
Escapo feito mosca, a luz da televisão me atrai mas não posso perder tempo.
Esqueço que não sei voar, caio e me levanto já correndo,
Um fugitivo acusado injustamente pelos mestres.
Logo eu meu Deus,
que não presto nem pra ser egoísta.
e desse o bolo em mim mesmo,
me dei o convite, aceitei e não fui.
Inventei desculpas e já não acredito nelas.
Escalei estantes,
caminhei por páginas e mais páginas,
E pulando entre os livros,
olhei pra trás e notei bandeiras saindo deles,
assustei com os dedos apontados saindo entre as folhas,
todos em minha direção,
como juízes de desenho agindo feito plantas carnívoras.
Só me resta fugir,
já que sou réu e nunca soube advogar em causa própria.
Escapo feito mosca, a luz da televisão me atrai mas não posso perder tempo.
Esqueço que não sei voar, caio e me levanto já correndo,
Um fugitivo acusado injustamente pelos mestres.
Logo eu meu Deus,
que não presto nem pra ser egoísta.
quinta-feira, 7 de julho de 2011
Madruga
Levantei sem ter dormido,
de tão cedo acordei o galo,
ainda de olhos fechados cantou de imediato.
Seu grito rouco, forte, inundaria do palco o espaço,
fazendo par com a distorção de uma guitarra.
Abrindo o bico, pescoço esticado, soltando penas,
com seu pequeno coração batendo no limite feito pistão de carro.
As raposas de gravadora e rádio querendo um pedaço,
dizem que sucesso é derivado de contrato
e se possível assine com a pena do próprio rabo.
de tão cedo acordei o galo,
ainda de olhos fechados cantou de imediato.
Seu grito rouco, forte, inundaria do palco o espaço,
fazendo par com a distorção de uma guitarra.
Abrindo o bico, pescoço esticado, soltando penas,
com seu pequeno coração batendo no limite feito pistão de carro.
As raposas de gravadora e rádio querendo um pedaço,
dizem que sucesso é derivado de contrato
e se possível assine com a pena do próprio rabo.
O mito
O poeta não trabalha com as palavras,
o poema é como um relatório médico.
E escrevê-lo não o impede de também estar doente.
Sendo holístico todo lugar é consultório,
curiosidade intensa e as faculdades se tornam pequenas.
Leio os poetas ,
plantões intermináveis,
atestando óbitos, receitando remédios.
o poema é como um relatório médico.
E escrevê-lo não o impede de também estar doente.
Sendo holístico todo lugar é consultório,
curiosidade intensa e as faculdades se tornam pequenas.
Leio os poetas ,
plantões intermináveis,
atestando óbitos, receitando remédios.
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Relativamente perdidos
Não existe referência no que habita o infinito.
Toda matéria se dissolve,
em questão de semanas,
de meses,
de tempo.
E se tudo não acabou em um segundo...
o motivo talvez seja a nossa velocidade,
combinada com perguntas que não precisam serem respondidas.
Toda matéria se dissolve,
em questão de semanas,
de meses,
de tempo.
E se tudo não acabou em um segundo...
o motivo talvez seja a nossa velocidade,
combinada com perguntas que não precisam serem respondidas.
terça-feira, 5 de julho de 2011
Km 0
Na cidade que inventei
não havia igreja, procissão
e até a solidão
lá é boa companhia.
Lá os cavalos correm sem puxar carroça,
quando trotam é porque gostam
desconhecendo espóra.
E os soldados se preparam para guerras,
fazem cordas de guitarra,
derretem metralhadoras.
não havia igreja, procissão
e até a solidão
lá é boa companhia.
Lá os cavalos correm sem puxar carroça,
quando trotam é porque gostam
desconhecendo espóra.
E os soldados se preparam para guerras,
fazem cordas de guitarra,
derretem metralhadoras.
7° sentido
Nesse transe que se dane o que achamos,
atiradores de elite acertando bem no alvo errado.
Tem alguma coisa gigantesca escapando aos sentidos,
gritando sem ser som, acenando feito louco em meio a cegos de certa forma literais.
Com a cara na areia, o meu cérebro egocêntrico filosofa sobre grãos e mais nada.
Eu perco a praia, não vi o céu, ouço som de pássaros sem saber o que são pássaros.
Quando estiver velho, ou perto da morte
tenho certeza que algo lúcido dentro de mim irá me perguntar:
- Porque você não olhou pra cima?
atiradores de elite acertando bem no alvo errado.
Tem alguma coisa gigantesca escapando aos sentidos,
gritando sem ser som, acenando feito louco em meio a cegos de certa forma literais.
Com a cara na areia, o meu cérebro egocêntrico filosofa sobre grãos e mais nada.
Eu perco a praia, não vi o céu, ouço som de pássaros sem saber o que são pássaros.
Quando estiver velho, ou perto da morte
tenho certeza que algo lúcido dentro de mim irá me perguntar:
- Porque você não olhou pra cima?
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Carta ao Papai Noel
Querido Papai Noel.
Nesse Natal você não me trouxe presente...de novo.
Só um sorriso falso no rótulo da Coca-Cola.
E saiba de uma coisa:
- Não me impressionou nem um pouco os seus movimentos repetitivos no Shopping.
Usemos a razão meu bom velhinho;
com a grana da árvore de Natal
daria pra minha mãe comprar um tênis novo pra mim.
Mas tenho tido vitórias mesmo com a sua ausência ;
e o dia 25 de Dezembro me dá raiva,
aí bebo e acho graça.
É Natal...puta que pariu!
Nesse Natal você não me trouxe presente...de novo.
Só um sorriso falso no rótulo da Coca-Cola.
E saiba de uma coisa:
- Não me impressionou nem um pouco os seus movimentos repetitivos no Shopping.
Usemos a razão meu bom velhinho;
com a grana da árvore de Natal
daria pra minha mãe comprar um tênis novo pra mim.
Mas tenho tido vitórias mesmo com a sua ausência ;
e o dia 25 de Dezembro me dá raiva,
aí bebo e acho graça.
É Natal...puta que pariu!
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